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O que é a angustia?
Sob o ponto de vista subjetivo, a angústia é uma experiência extremamente intensa com uma nota emocional absolutamente peculiar. Nela misturam-se admiração, espanto, terror, exaltação, náusea e sublimidade
A Angustia é própria do existencial humano, ou seja, é própria do ser. Heidegger entende a existência humana, assim como um projeto, logo, um poder-ser ou mesmo “uma possibilidade de ser ou não ser ele mesmo”.
A angustia impera tanto no ser autêntico (quando tem consciência de si e busca a compreensão do ser) quanto o inautêntico ( quando se volta unicamente para o ente, chegando até a se perder no mundo). O existir inautenticamente leva o homem a se diluir na massa vivendo de forma independente, passa segundo Heidegger, a não pronunciar da forma afirmativa e pessoal, mas transfere-se para dependência de outrem ou da coletividade, das pessoas em geral.
No ser inautentico
Neste caso da-se também uma certa angustia pois o homem passa a se ocupar e preocupar com aquilo que vai realizar na sua existência, pois o da-sein “ser-presente” não está consigo mesmo mas diluído na massa, no “se”, no “a gente“, no que vão falar, no que vão dizer.
No ser autentico
Sendo o modo mais verdadeiro do “Da-sein” viver seu “eu verdadeiro mais original – é o viver na propriedade naquilo que é particular, que é especial em forma de direito legítimo como também de caráter, podendo gozar dos seus bens e de especial, senti também angustia visto que tudo isso inspira um certo temor pela liberdade que nele (ser) está implícita, pelo jogo de poder decidir a própria sorte.
Assim segundo o autor, este existir é como angustiado, atormentado ou aflito por conta da angustia originada pela morte do “Da-sein”
A morte do “Da-sein” do ser “pre-sente”
Tendo a morte como única certeza, o homem racional possui essa angustia, pelo fato de ter que se distanciar do que é leviano e não –verdadeiro para realizar sua existência. Libertar-se de um vício visível como, por exemplo, o vicio do fumo e do álcool é um desafio fora do comum. Distanciar-se para ouvir a voz do ser e dar suas respostas é sem sombra de dúvida respeitável e formidável.
Ganhar-se
É fazer as escolhas verdadeiras diante de todas as possibilidades que se apresentam ao ser humano
Perder-se
È ligar-se àquilo que não trará contribuição para o “Da-sein”, é portanto optar literalmente no sentido de preferências e escolhas pelas futilidades, inutilidades, tendo como preocupação, ao invés de seu ser, seu interesse em prazer, sucesso e posses.
A angustia existencial
Para Kierkegaard, Abraão é o exemplo vivo do herói absurdo. Sem saber porque, Abraão oferece a Deus o sacrifício de seu filho Isaac. Mas, este absurdo é revelador de Deus. Com efeito, no momento exato em que se daria o sacrifício, um anjo aparece a Isaac sustando a sua ação. Deus reconheceu a fidelidade e o amor de Abraão para com Ele, pois, na sua prova, seria capaz de sacrificar o seu filho bem amado Isaac.
É preciso lembrar, portanto, que a revelação de Deus não vem tranqüilizar ou consolar o homem. Ela instaura o sentimento da angústia existencial. O homem existente se prova na inquietação e na angústia existencial. Por isto é que Kierkegaard define esta angústia como "síncope da liberdade". Portanto, liberdade e angústia se unem na existência. O homem é livre, em sua vida, para optar e escolher. Entretanto, não há opção sem angústia. Ao escolher deixo de lado outras coisas sem ter certeza de que a escolha foi a melhor ou será bem sucedida. Quando escolho sou eu quem me escolho, pois toda opção é feita em função de uma opção interior, pela qual eu julgo que irei me realizar. No entanto, a escolha é um "salto no escuro". Não posso ter certeza a priori de que a escolha é boa, como já disse . Mas esta escolha não é feita arbitrariamente. Ela deve ser motivada pela busca da verdade.
A porta de acesso à condição humana é a experiência da angústia, nisto concordam todos os existencialistas.
O caso de Abraão, por exemplo, demonstra espanto e sublimidade.
O objetivo da experiência da angústia é que diverge.
a) O fato de existir gera a angústia de ser que é parecido com a angústia do nada (não há opção sem angústia)
b) A especialidade ou individualidade humana gera a angústia do aqui e agora (opção é feita em função de uma opção interior, pela qual eu julgo que irei me realizar)
c) liberdade humana gera a angústia da liberdade (ao escolher deixo de lado outras coisas sem ter certeza de que a escolha foi a melhor ou será bem sucedida)
CONCLUSÃO
Em síntese, angústia é desespero, misturam-se admiração, espanto, terror, exaltação, náusea e sublimidade Ela é própria do existencial humano, ou seja, é própria do ser. Entende Heidegger que a existência humana, é como um projeto, a seguir, um poder-ser ou mesmo “uma possibilidade de ser ou não ser ele mesmo. E o homem só sai do desespero quando orientando-se para si próprio, querendo ser ele próprio, o eu mergulha, através de sua própria transparência, até o poder que o criou", (Desespero Humano). Tendo a morte como única certeza, o homem racional possui essa angustia, pelo fato de ter que se distanciar do que é leviano e não – verdadeiro para realizar sua existência. Libertar-se de um vício e algo descomunal. Distanciar-se para ouvir a voz do ser e dar suas respostas é sem sombra de dúvida admirável respeitável e formidável, pois esta ganhando a autenticidade que é caminho para a liberdade.
Autor: Francisco Carlos Baggio
publicado em 18/08/2010 às 11h35
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